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SOBRE A APOLOGÉTICA NA ATUALIDADE
(Escrevi, provocado pelo post do amigo Alex Fajardo no Facebook)
Penso que a apologética enquanto “defesa da fé”, perdeu o seu sentido numa sociedade que é plural e emocional por natureza. As pessoas não estão mais em busca do que julgam ser uma construção correta de qualquer coisa que seja. Elas estão é observando “aquilo que dá certo”. Isso pode parecer um absurdo pragmático, mas não acho que seja. Se as pessoas estão a procura de experiências que lhes façam sentido, a fé cristã, mais do que nunca, se expressa, se legitima e inclusive se defende pela vivência cotidiana de uma vida que desperte o “interesse” do outro.
Mas confesso que a ortodoxia sempre foi um conceito importante na história do Cristianismo, pelo qual muitos irmãos derramaram seu sangue. Ela é inevitável enquanto régua de aferição do correto e aceitável. Meu problema é com a pormenorização da ortodoxia, que faz dela algo tão endurecido e desagregador, que mais espanta do que agrega. A ortodoxia é um balizador do que é aceitável como cristão ou não e não um manual regulador, com descrições mínimas que determinam o que pode ser aceito ou não. Até porque, dentro da ortodoxia, existem um sem número de escolas que pensam a fé de forma diferente umas das outras.
O pior que poderia acontecer com ela, aconteceu e acontece. Ela tornou-se uma espada manipulada por gente de índole má, que arranca a cabeça de qualquer pessoa que intente pensar de forma diferente de quem a reclama para si.
Ademais, qualquer pessoa que reclame para si a “melhor interpretação”, a “correta hermenêutica”, a “exposição do Evangelho verdadeiro”, deve ser posta sub judice.
O que temos são, no máximo, nuances cheios de impressões pessoais, de influência contextual, de intenções, de expectativas e de outras tantas influências externas que carregamos para nossa interpretação bíblica.
O melhor é, de forma sincera, dizer que “achamos que as coisas são assim”, expô-las como possíveis e vivê-las como quem acredita que são verdadeiras, semeando a vida com bom testemunho e nunca com imposição.
Acho assim…
Fabricio Cunha