Fazer de uma discussão humanitária um assunto político partidário, é desviar o foco do principal para tentar terceirizar responsabilidade.
O povo não é mais bobo. Sabe atribuir responsabilidade a quem de direito, independente de partido político.
Cansei dessa “partidarização” ridícula, inoperante, despropositada, que desvia os olhos daquilo que é o principal: O SOFRIMENTO HUMANO, ESPECIALMENTE O DO POBRE!!!
Não estou nem aí para o PSTU e pro Movimento Sindical. Tenho vergonha do PSDB.
Choro e lamento por gente com nome, rosto e história, cuja dignidade tem sido roubada em nome de um jogo sujo, nojento e irresponsável que mantém as estruturas como estão ao custo de sangue inocente.
CHEGA!!!
Fabricio Cunha
A paz que a maioria das pessoas procura, que tem a tranquilidade e a estabilidade como frutos, NÃO encontramos em Jesus.
A paz que Jesus nos oferece é a derivada de uma vida derramada no serviço ao outro, gerando sentido para quem serve e significado para quem é servido.
É o tipo de paz que nos tira o sono, que nos tira a tranquilidade, que insiste em dizer de dentro pra fora que algo está errado e continuará errado enquanto as estruturas não se parecerem mais com o Reino de Deus e os relacionamentos, mas com a Trindade.
É um tipo de paz que nos “tira a paz”, mas nos enche de contentamento.
Por isso ele nos diz que “minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá”.
A “paz do Senhor” é a sensação interior de, mesmo a contragosto do todo ou na contra-mão do óbvio, se estar caminhando na direção correta.
Fabricio Cunha
Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por Bonnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte. Para analisar a publicação, convidamos a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Einstein – que comentou, de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana.
Confira abaixo.
1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim
“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia. “É um sentimento muito frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as nossas próprias escolhas”, explica a médica. “Muitas pessoas reclamam de que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem. Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e as dificuldades”, conta.
2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto
“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra. “Mas o mais grave é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o tempo”, afirma. “Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão e recomeçar”.
3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos
“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar. O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta. “À medida que uma doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa, mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram necessárias”. “A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas. Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as pessoas”, explica a médica.
4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos
“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma relação de apoio”, explica. “Não há nada de errado em ter uma família que não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas significativas e especiais, como os momentos com os amigos”. “Dependendo da doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento, precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos amigos”, afirma.
5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz
“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”. “Não é uma questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes também”, explica. “A minha experiência mostra que esse arrependimento é muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do ponto de vista existencial”, alerta.
Dica da especialista
“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”. “Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”. De acordo com Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”, conclui a médica.
Publicado em janeiro/2012 em http://www.einstein.br/espaco-saude/bem-estar-e-qualidade-de-vida/Paginas/os-cinco-maiores-arrependimentos-dos-pacientes-terminais.aspx
(Recomendado por Carlos Alberto Bezerra Júnior)
Quando profetas como Amós, por exemplo, criticam os cultos, encontros religiosos, ritos e formas de se “achegar a Deus”, o que afinal ele está criticando? Ele está denunciando a forma de religião predominante em Israel, sem entrar no mérito de dizer “toda religião”, ou “a religião”. Talvez uma coisa que esteja faltando às nossas genéricas classificações é “dar nome aos bois”. E isto Amós faz. Observem o seguinte trecho (na tradução “A Mensagem”, de Eugene Peterson):
Não suporto os encontros religiosos de vocês. Estou cheio dos seus congressos e convenções. Não me interessam seus projetos religiosos, seus lemas e alvos presunçosos. Estou enojado das suas estratégias para levantar fundos, das suas táticas de relações públicas e criação da própria imagem. Não suporto mais sua barulhenta música de culto ao ego. Quando foi a última vez que vocês cantaram para mim? Alguém aí sabe o que eu quero? Eu quero justiça – um mar de justiça. Eu quero integridade – rios de integridade. É isso que eu quero. Isso é tudo que eu quero (Am 5.21-24 – Grifos meus).
A religião criticada por Amós é covarde e superficial, porque marginaliza o que realmente importa e põe no centro o trivial e menos relevante. Confunde retidão com justiça própria e santidade com abstinência; faz dos sacrifícios e rituais o último bastião da espiritualidade, dissociando-a completamente da vida, da misericórdia e da sede por justiça. Afirma uma sede incontrolável por Deus e seus mandamentos, mas é incapaz de reconhecê-lo no próximo, no diferente, no samaritano à beira do caminho.
Daí, muitos desses encontros, congressos, convenções e projetos religiosos aos quais se refere o profeta, terem se tornado, para Deus, um negócio insuportável e indigno de atenção. Mais “culto ao ego” que outra coisa. Daí a pergunta: “Quando foi a última vez que vocês cantaram para mim?”. E o que é viver e cantar “para Deus”?
É anelar por Deus com todo o nosso ser; é deixar ser movido e tocado pelas coisas que mobilizam o coração de Deus (o que sabemos por meio da Palavra); é desejar ardentemente que sua vontade seja feita tanto aqui na terra, como no céu; é lutar para que a justiça corra como rio que não seca; é buscar viver em integridade e afastar ao máximo do nosso caminho a hipocrisia. Mas, como? E seria isto outra forma de religião? Não sei, talvez, quem sabe. Linguagem, tudo passa por ela.
Não é novidade para ninguém que muitos sistemas religiosos se alimentam da hipocrisia e não subsistem sem ela. Muitas igrejas têm sido – até que provem a si mesmas e ao mundo o contrário – ao invés de centros de misericórdia e compaixão e comunidades de reino, covis de hipocrisia, onde o livre pensar é reprimido (sobretudo em assuntos como sexualidade, por exemplo), e o discordar (mais ainda da liderança e da orientação doutrinária) é tratado como pecado. Exceções à regra (os remanescentes) existem, é claro, mas com a sina de ter que “nadar contra a maré”, caso não (ou até que) se deixem corromper pelo “se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
A hipocrisia vai, dessa forma, recebendo outros nomes, e vai sendo ornamentada com vestes outras, mais sofisticadas quem sabe (embora não menos vorazes) e se torna peça indispensável ao bom funcionamento da engrenagem, mascarada pelo discurso de que assim estaremos “no centro da vontade de Deus”. Como corolário disso e de outras tendências já bastante enraizadas, como a privatização da espiritualidade e a religião de consumo, as pessoas vão à igreja apenas para nutrir o lado “lúdico” da fé, que congrega e agrega a massa dos que querem distância do conflito e que relega aos ditos apóstatas, hereges e perdidos o lado trágico (e sombrio) da existência.
A hipocrisia tenta eliminar o sofrimento a todo custo e promover uma espécie de narcótico gospel como sustentáculo para uma fé “que funciona”. Uma fé que desconhece a compaixão, porque só age para aliviar a dor; que tem desconfiança em relação ao mistério, ao desconhecido e às incertezas; que pensa que testemunhar é igual a fazer propaganda de sua fé, e se distancia da prática da justiça por estar tão ofuscada com as celebrações e homenagens, públicas e privadas, ao “seu Deus” – o “meu Deus isso”, o “meu Deus aquilo”.
Essa fé é substrato da hipocrisia. Irracional e inconscientemente, muitas vezes, ela canta: “Hipocrisia, eu quero (eu preciso de) uma pra viver!”. Nos lugares onde ela é vivida, as palavras de Jesus – “Acautelai-vos do fermento dos fariseus!” – ecoam como gritos em uma terra de surdos.
Porque acautelar-se, talvez, implique em passar pela via da admissão honesta de que, no fundo, todos (digo, os que nos servimos do sistema religiosos, ou os que se encontram, como eu, em processo de libertação de suas entranhas) somos um pouco como os fariseus ou hipócritas – o que seria um total absurdo e falta de espiritualidade, para muitos. Se toda mulher é meio Leila Diniz, como diz a canção “Todas as mulheres” de Rita Lee, então (digo isso contra meu melhor senso) todo crente é meio hipócrita e, por natureza, religioso (no sentido que Amós abomina), até que prove o contrário lutando contra tal orientação.
Jonathan Menezes
(em: http://escreveretransgredir.blogspot.com/ )
No atual momento, vemos tomar corpo um movimento de pessoas que se dizem apaixonadas por Jesus, mas que não gostam mais da igreja, detestam as instituições em geral, e desenvolveram uma ojeriza pelo que chamam de “religião” – a meu ver, a religião institucionalizada. Estes estariam dentro dos 7,9% da pesquisa acima exposta.
O mote de sua trajetória está no slogan: “Mais Jesus e menos religião”. O problema é que, nesse meio termo, apareceram outros apresentando outra visão de religião, mais positiva talvez, alegando que a religião faz parte da história humana desde sempre e tem oferecido contribuições importantes a ela. Em outras palavras, por mais que critiquemos a religião, não vivemos sem ela. Nesta discussão pouco criteriosa, termos como religião, religiosidade e espiritualidade acabam sendo utilizados de modo intercambiável, como se um fosse ou pudesse ser sinônimo para outro. E a confusão se vê armada. Podemos desatar este nó?
Em primeiro lugar, a discussão sobre as terminologias (religião, religiosidade, espiritualidade, etc.) é in-termi-nável. Todas são palavras polissêmicas, se considerarmos o diálogo interdisciplinar, ou mesmo o senso comum. Em segundo lugar, esse movimento (por um cristianismo não-religioso) não é novo. Já vimos isso no século XX, através de Karl Barth, e mais fortemente na teologia de Dietrich Bonhoeffer, na teologia secular (Cox) e da morte de Deus (Robinson e Cia), dentre outros.
A diferença para o que tenho visto atualmente é que esses últimos me parecem ter sido mais intencionais, proposicionais e consistentes (quer se concorde com eles ou não) no sentido de formular respostas relevantes aos problemas e movimentos de seu tempo, e não um flash mob de descontentes, como parece se apresentar grande parte do movimento atual. É preciso conferir mais coerência e conteúdo aos nossos descontentamentos.
No que diz respeito às terminologias, Tillich, por exemplo, falando sobre a clássica diferenciação entre religião e revelação em sua Teologia Sistemática, afirma que toda revelação pressupõe um receptor. E, considerando não haver receptor “puro” (isto é, livre da influência de sua cultura e da ideologia), e consequentemente nenhuma forma de fé, interpretação ou verdade universalmente válida, a recepção em si já é uma religião. Assim, o que Tillich chama de “religião” seria o processo de recepção e, por conseguinte, de significação da revelação. Nesta acepção, não há revelação sem religião e todos os que vivem conforme a revelação de Deus poderiam ser considerados religiosos.
Então, para começo de conversa, precisamos tentar entender qual religião esse movimento atual quer de menos, e qual Jesus ele quer de mais, para poder avançar no debate, não acham? Arriscar-me-ei, então, no próximo post a expor algumas impressões mais particulares sobre o tema.
Jonathan Menezes
(em: http://escreveretransgredir.blogspot.com/ )
Salve a madrugada, salve o silêncio, salve o sono, salve a Coca, salve o trem e o barulho que faz aqui em frente.
Salve os amigos, salve o @ariovaldo , salve a @brauliaribeiro , salve o Salva e as comidas que ele faz.
Salve a Vila, a Freguesia, salve o Chico, salve a poesia, salve os vestidos, salve a saudade, salve o passado, o presente e o futuro.
Salve os chatos, os legais e os mais ou menos. Os essenciais, salve e salve. Salve os grandes, salve os pequenos.
Salve Cartola, salve Tom e Vinícius, salve o samba e nos salve do pagode. Salve as rodas, as cantigas, os coretos e as marchinhas.
Salve a malandragem, mas só a boa. Salve @vitorkivitz , seu violão e suas rimas, salve o futebol, minhas pernas e meus dribles.
Salve a madrugada, as corujas e morcegos, salve as estrelas, salve Garrincha, seu dribles, e a tortidão de suas pernas.
Salve o mar, salve o vento, salve as fogueiras, os acampamentos, salve as conversas ao pé do ouvido, salve os amigos de ontem e de hoje.
Salve a lua, salve a lua, salve a lua, a cheia, a crescente e a nova, a minguante não. Salve a míngua da tristeza e a abundância da alegria.
Salve o Rio, salve o Rio, salve o Rio, seu solo, seu subsolo, seu mar, salve sua gente boa, salve sua alegria escancarada.
Salve o amor, salve a dor, salve a vida, salve os que dormem, aos que trabalham, salve aos que dormem no trabalho. Salve os que só dormem.
Salve o careca, salve o sarará, salve as crianças, salve o corriqueiro, o ordinário, salve o extraordinário, mas só de vez em quando.
Salve o alumbramento, salve Pessoa, salve Veríssimo, mas só o Érico, salve o futebol, salve os olhos que enxergam, que também vejam.
Salve a minha noite, salve o açaí e tudo o que se faz com ele, salve o wifi, salve as redes abertas, salve a Vila Maria, a Terezinha.
Salve os Mercados Municipais do mundo todo, mas só os que servem pastel de queijo mineiro, salve a Tubaína, a Guaranita também, o Jesus não.
Salve o salve, salve os que salvam, salve o Salvador, salve a salvação, salve o salvar, salve e salve.
Fabricio Cunha
Estamos em meados de Janeiro, o ano acadêmico já está a todo vapor (pelo menos aqui na terra do frio), e eu realmente deveria estar fazendo outra coisa neste exato momento. Mas, resolvi aproveitar minha pausa de hoje para fazer um breve comentário sobre o video religioso (isso mesmo, religioso) intitulado “Jesus>Religion” (http://www.youtube.com/watch?v=1IAhDGYlpqY), que está muito em voga ultimamente nas redes sociais.
Eis o porque que eu acho essa ideia de um “Jesus sem religião” profundamente insatisfatória:
1- Para começar, esses movimentos anti-religião usam péssima terminologia. Religião, nas palavras de Tony Jones (ecoando Friedrich Schleiermacher), é a expressão da experiência humana com o transcendente; não é algo necessariamente bom, nem ruim, é simplesmente inevitável. Só que para a turma do Jesus não-religioso, “religião” é um termo que encapsula todas as suas experiências negativas em relação a fé. Em outras palavras, os não-religiosos chamam de religião tudo aquilo que os marcou negativamente ao longo da vida, incluindo aquilo que não correspondeu ao apetite de seu consumismo religioso. Tudo bem, há pessoas que sofreram formas genuínas de abuso em instituições religiosas e, portanto, é até compreensível que alguns achem interessante demonstrar aversão ao termo. Mas, isso não justifica a má terminologia. Transferir ao termo “religião” todo tipo de conotação pejorativa é tão simplista e ilegítimo quanto dizer que a instituição da “família” é ruim pelo fato de existirem pais que abusam de seus filhos – uma sugestão que beira a burrice.
2- Colocar Jesus contra religião é uma dicotomia falsa. Aquela frase “religião é o homem em busca de Deus, e cristianismo é Deus em busca do homem” pode até soar bonito, mas é superficial. O cristianismo é a religião que tem como matriz o evangelho de Jesus, a mensagem do Deus que veio ao mundo na pessoa de Seu Messias. Não obstante, o cristianismo, tendo emergido da religião veterotestamentária através da proclamação escatológica dos apóstolos, é religião sim. Aliás, Jesus mesmo tinha uma religião – a do Sinai. E ele não veio “abolir a religião,” nem se colocar “no outro extremo do espectro.” Jesus veio, nas palavras de N. T. Wright, redefinir o povo de Deus ao redor de si mesmo. Isso significa que Jesus não está necessariamente em oposição à religião; significa que ele veio mostrar sua finalidade. O próprio irmão de Jesus, Tiago, sugere isso: “A religião que Deus, o Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas necessidades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1:27). Além disso, se Jesus tivesse abolido a religião e suas expressões ou, como muitos gostam de dizer hoje em dia, toda forma de fé institucionalizada, como é que ele pôde estabelecer sacramentos, como o batismo e a ceia? Não nos esqueçamos também de que não existe cristianismo individual, sem comunidade. Como T. F. Torrance acertadamente definiu, “conversão é o retornar do eu individualista para o nós coletivo.” Congregar é estar com outros em nome de Jesus. E uma reunião onde dois ou mais estão em nome de Jesus já é em si um ato religioso e institucional, mesmo que tal grupo não tenha um CNPJ.
3- O anti-religiosismo de hoje é raso do ponto de vista exegético e pobre no que diz respeito a sua consciência histórica. Sobre isso, não há muito o que dizer. A realidade do segmento mais pop do evangelicalismo contemporâneo diz por si só. É extremamente necessário que cada geração reformule a maneira de pensar e expressar sua fé, de acordo com os desafios de sua época. Mas, precisamos fazer isso com o mínimo de perspicácia, não é verdade? O rapzinho meia-boca do “Jesus>Religion” em momento algum reflete um pensamento crítico sério em relação aos problemas reais dos nosso dias. Como diria Carlos Nascimento, “nós já fomos mais inteligentes.”
4- E finalmente, dizer que “sou de Jesus, mas não sou de nenhuma religião” é no fundo, uma afirmação arrogante, afinal, a ideia de que “Jesus>Religion” pressupõe que aqueles que “são de Jesus” estão num patamar mais elevado do que os demais indivíduos da raça humana, que (cruz credo, pobrezinho deles) confessam uma religião. Já que os “de Jesus” não têm uma religião, mas vivem o “cristianismo puro e simples” (como se existisse cristianismo sem dialética com sua época), são eles os verdadeiros iluminados. E o critério para se discernir se você é de fato um cristão verdadeiro é simples: basta você não ter compromisso nenhum com a religião ou com a instituição. A ironia é que, enquanto os anti-religiosos se dizem livres da maldição de serem julgados por sua aparência exterior (como costumes, vestimenta, etc.), eles mesmos julgam como “religiosos” todos aqueles que seguem qualquer tipo de tradição. Se esquecem, porém, de que Deus vê além das aparências, independente se você expressa abertamente sua religião ou não. O anti-religiosismo, portanto, tão preocupado em ser cool e diferente, não passa de mais uma expressão religiosa, igualzinha as demais.
Ser de Jesus, meus caros, é viver a religião em sua finalidade mais plena.
Bom, agora deixa eu voltar ao tabalho. Afinal, a Luiza já voltou do Canadá, mas eu não.
Bernardo Cho
( http://bernardocho.wordpress.com/2012/01/21/a-religiosidade-dos-nao-religiosos/ )
As crianças sabem muito da vida. Tenho três aqui em casa.
Quando chove muito, costumam dizer que Deus está triste e chora suas lágrimas sobre a terra.
Têm razão.
Foi assim hoje.
Deus olhou aqui para São José dos Campos, onde moro, e viu aquela gente simples, pequena, pobre, sem voz, ser escorraçada do Pinheirinho, uma ocupação que abriga aproximadamente 8 mil pessoas desde 2004. (Clique aqui para saber mais).
Já fui lá muitas vezes. Hoje, pela última.
Andei, conversei, levei água e abraços pra alguns conhecidos e muitos desconhecidos. Senti-me completamente impotente diante da desgraça humana.
Minha amiga Loide, foi lá mais cedo. Viu uma senhora saindo da ocupação ainda muito desnorteada. Loide foi em sua direção e a abraçou em silêncio. A senhora dizia e repetia: “é a vida, minha filha, é a vida”. Não, minha senhora, não era pra ser assim. Seu pedacinho de terra deveria ser garantido pelo Estado, que deveria protegê-la, mas não. Junto dela, um sem número de gente levando o pouco que lhe restou em sacos de supermercado, mochilas velhas, malas esgarçadas, expressão de sua vida.
Ninguém me contou. Eu vi!
Quando esse tipo de interpretação do conceito de propriedade privada sobrepõe a dignidade humana, há algo de muito errado em nossa sociedade.
Quando uma prefeitura finge que não vê um número tão grande de pessoas e não as considera em sua gestão, há algo de muito errado com a política.
Quando um prefeito lava as mãos em silêncio diante de um fato que acontece debaixo de seus olhos, há algo de muito errado com um líder.
E quem sofre mais uma vez? O pobre, a viúva, o estrangeiro, as crianças, como bem nos disseram os profetas e o Messias.
Já vi muita coisa linda na vida, mas são as feias que não saem de minha cabeça, que insistem em gritar dentro de mim que algo vai mal, que algo está errado e que não posso dormir tranquilo.
Chore sim, Senhor. Chore muito. O choro de um pai que vê seus filhos sendo despachados novamente ao exílio, ao exílio da dignidade, da inclusão, da humanidade, de seu chão.
Chore sim, Senhor e que seu choro esconda o nosso, nos alivie a dor e nos motive a continuar lutando pelo que vale a pena.
Que seu choro amoleça a terra do Pinheirinho, tanto tempo infrutífera, e que do juntar do sangue e do suor ali derramados com as suas lágrimas de dor, a esperança nasça e renasça apontando a vida.
Mas hoje é dia de lamentar a morte.
Fabricio Cunha
Perguntas e respostas simples e cotidianas, as que passam despercebidas, revelam muito sobre as pessoas.
Acabo de comprar o primeiro apartamento de minha vida. A realização de um sonho. Nunca imaginei que esse dia chegaria, mas, teimosamente, imaginava esse lugar. Pensava na sala que comportasse os amigos para assistirmos uma partida do São Paulo Futebol Clube pela TV, numa cozinha que desse para o Júnior cozinhar as suas especiarias, num quarto que desse para o Rogério dormir de vez em quando, numa varanda onde eu pudesse tocar minha viola, em espaços onde coubessem algumas plantinhas e quadros.
Mas ninguém me perguntou sobre viola, plantas, quarto pra amigo, espaço pra ver jogo. Queriam saber a metragem, o valor, quanto dei de entrada, em quantos anos pagaria. Todas, perguntas cujas respostas seriam números.
Adultos gostam de números. Os números são os aferidores de sucesso. Alguém cujo salário é “x”, é mais importante do que o outro alguém cujo salário é “x menos algum número”. Quem mora em “y” metros quadrados mora melhor do que quem mora em “y menos algum número” de metros quadrados. Os números são um importante aferidor de sucesso, mas um péssimo aferidor de alegria e contentamento.
Por isso prefiro as crianças. Conhecem pouco sobre os números. A Catarina gostou do cachorro, o Thiago, do pequeno salão de brinquedos e a Sophia, do papel de parede roxo, a única coisa que eu mudaria na casa. Não sabem, nem querem saber nenhum outro dado sobre a sua nova residência. O que sabem é suficiente para se verem felizes ali.
Quando eu era criança, queria ser lixeiro. Perguntavam-me a clássica: “o que você vai ser quando crescer”. Não titubeava: “lixeiro”, para a frustração de todos. Que vida deliciosa a de andar pela cidade toda pendurado num caminhão, brincando de acertar sacos dentro da caçamba, conhecendo gente nova todo dia. Eu tinha certeza de que era isso que queria. Liberdade, aventura e amigos. Eu subia nos carrinhos de supermercado e ía jogando enlatados, pacotes de arroz, feijão e farinha pra dentro do carrinho. Às vezes jogava um pote de requeijão, que se espatifava todo. Estava simulando o que seria quando crescesse.
Cresci e vi que a liberdade e a aventura de ser lixeiro não trariam os números que eu precisava para ser “alguém na vida” e desisti.
Mas ainda sei que nenhum número compra nem liberdade, nem aventura e muito menos amigos.
Fabricio Cunha