Engraçado como a beleza verdadeira não tem tempo que apague.
Ela tem esse poder de subverter as ordens do “chronós”, o tempo que se conta, posto que beleza é “ayón”, é eternidade.
E o que é a beleza senão aquilo que nos rouba de nós mesmos por um momento que seja e faz desse lampejo, eternidade na gente?!
Tava aqui vendo o Garrincha.
Não o vi jogar, mas que beleza.
Hoje, faz trinta anos que morreu.
Como inegável, inquestionável e inefável beleza, vale o “salve”.
Salve a beleza.
Salve Garrincha.
De presente, poema de Marighella para nosso mestre das pernas tortas:
A Alegria do Povo
Uma grande jogada
pela ponta direita,
o balão de couro
como que preso no pé.
Um drible impossível…
Garrincha sai por uma lado,
e o adversário se estatela no chão.
Gargalhada geral,
o Maracanã estremece…
Lá vai o ponta seguindo,
os holofotes varrendo de luz o gramado,
o balão branco rolando,
seguro nos pés do endiabrado atacante.
Voa Garrincha,
invade a área contrária,
indo até à linha de fundo
para cruzar…
E as redes balançam,
no delírio do gol.
Garrincha! Garrincha!
A alegria do povo,
no balé estonteante
do futebol brasileiro.
Fabricio Cunha®
Geralmente encaramos as nossas fragilidades como debilidades ou problemas.
Mas elas não são.
São, mais do que expressão natural de nossa humanidade, virtudes necessárias para, mais do que humanos, nos tornarmos gente.
É por meio delas que reconhecemos que precisamos do outro.
Assumindo que não “damos conta”, nos reconhecemos dependentes de algo maior do que nós mesmos.
E isso é bom.
É pelas portas de nossas fraquezas que uma intervenção externa entra para nos ajudar, salvar e dizer que, mesmo autônomos, não somos suficientes.
Santas fragilidades…
Fabricio Cunha®
Nosso chamado a impactar o mundo com um outro jeito de se viver deve ser entendido assim mesmo, literalmente, como um “outro jeito de se viver”.
Assim, se em geral a sociedade é competitiva, somos chamados à solidariedade.
Se as pessoas estão cada vez mais sós e egoístas, vivemos a comunitariedade e incentivamos o altruísmo e a alteridade.
Se o dinheiro virou objeto de adoração, nós o relativizamos.
Se para ser reconhecido deve-se ser grande e evidente, procuramos o ostracismo.
Se para sentir-se importante a agenda deve estar cheia e o tempo escasso, valorizamos o santo ócio e temos tempo para o importante de fato.
Se as estruturas se tornaram o aparato fundamental do sucesso, abrimos mão delas e dele em função das relações.
A “novidade de vida” em Cristo não é um afã por coisas sempre novas e diferentes, mas uma nova visão sobre a vida e todas as suas complexidades, que nos impele de forma naturalmente leve a um “novo jeito” de se viver.
Muita vida nova em 2013 a todos vocês!!!
Fabricio Cunha®
Cheguei tarde em casa.
Thiago estava comigo. Dormiu no carro. Subi com ele no colo e o coloquei para dormir em sua cama, depois de dar o beijo de boa noite.
Acordei pela madrugada com um barulhinho no banheiro do corredor. Levantei. Era o Thiago, meu filho de 08 anos, que foi ao banheiro porque estava com dor de cabeça.
Perguntei, “por que não me chamou, meu filho?!”
Ele respondeu: “pai, acho que é por causa do calor. Eu estava molhando minha cabeça um pouco e acho que vai resolver. Se não resolvesse, eu te chamaria.”
Ele se vira sozinho. Meus três são meio assim. Só chamam os pais se não conseguirem resolver as coisas.
Fui para o quarto pensando no quão infantis são muitas pessoas que conheço, especialmente no seu relacionamento com Deus.
Parece bonito e “politicamente/espiritualmente correto” dizer que se depende de Deus para TUDO, mas isso se chama infantilidade espiritual, que é uma projeção de nossa infantilidade existencial.
Eu, como pai, crio meus filhos para o mundo, para serem adultos emancipados e independentes de mim, que conheçam o seu papel de ser gente nessa sociedade e que vivam em função de coisas maiores do que eles mesmos.
Talvez seja isso que o Pai espere de nós também. Talvez seja em função disso que ele, como Pai, trabalhe. Para que nós sejamos gente adulta, consciente de nossos deveres e responsabilidades, reconhecedores das grandezas da vida e maduros em nossas relações.
Hoje e sempre continuarei a ser pai do Thiago. Sempre que ele precisar o carregarei no colo. Ontem, hoje e sempre. Mas confesso que sou um pai feliz vendo meus filhos se tornarem gente madura e responsável a cada dia.
Sei que conto com o colo do Seu Ditinho até hoje.
E sei que também conto com o colo do Pai sempre que precisar, sempre que minhas pernas não derem conta.
Fabricio Cunha®
Gosto do Natal.
Ficamos “melhores”, mais suscetíveis ao outro, mais compassivos e generosos.
E gosto de dar e ganhar presentes de Natal, mas me assusto com o quanto gastamos com irrelevências e extravagâncias.
Por isso criei essa página.
Já que ficamos mais generosos, já que gostamos de dar e ganhar presentes, por que não qualificar essas atitudes dando aquilo que, muito além de preço, tem valor?!
Livros são uma ótima opção, acreditem. Bons livros!!!
AJUDEM curtindo essas excelentes resenhas de gente muito boa e compartilhando o conteúdo da página.
“Por um espírito de Natal recheado de cultura.”
Se for pra movimentar o mercado, que seja com prosa e poesia, conto e crônica, história e estória.
http://www.facebook.com/pages/Dê-um-livro-de-Natal/389090147838885
Fabricio Cunha®
Minha infância foi pentecostal.
Eu gostava de ver e experimentaras manifestações do poder de Deus através de sinais sobrenaturais e impressionantes. Mas achava estranho o anseio exagerado por um poder demasiado, geralmente com uma intenção estranhamente egoísta e competitiva. Quem evidenciava mais tal poder, pelas vias das experiências e expressões sobrenaturais, era mais invejado, sim, invejado, do que os menos espirituais.
Mais velho, fui me desvinculando dessa expectativa pelo poder de Deus. Fui para o extremo oposto, o do ceticismo. Duvidava de qualquer pessoa que me dissesse ter “ouvido” ou “visto” a Deus e não cria em nada que eu não pudesse entender ou explicar.
Hoje, creio no poder sobrenatural e transcendente de um Deus que é maravilhosamente inexplicável, que gosta de se revelar ao pequeno e através do pequeno, cujo poder nos coloca no chão de susto, mas cuja mão nos coloca de pé pela graça. Acredito que Ele se revela poucas, pouquíssimas vezes de forma poderosamente visível e impressionante, como foi com Isaías e Moisés, mas que se derrama em beleza no cotidiano de toda gente.
E creio que seu poder está disponível para aqueles que O buscarem, Ele, o Deus do poder e não o poder de Deus. E que a função primordial, senão única, de nosso empoderamento pelo seu Espírito, é o de servirmos sempre ao outro, nunca a nós mesmos.
Um poder que não é nosso, só pode nos encher e nos tomar se continuar a não ser nosso.
Eu quero, Senhor.
Encha-me com teu poder.
Fabricio Cunha®
Informação e conhecimento são coisas BEM diferentes.
Somos um geração muito bem informada já faz tempo. Acompanhamos “real time” todos os grandes acontecimentos em qualquer lugar do mundo.
Informação sem conhecimento é uma bolha de sabão. É capaz de “voar” alguns segundos, mas não se sustenta, nem muda nada no mundo.
O problema do conhecimento é que ele demanda envolvimento, empenho, desgaste e leva tempo, o tempo que não temos.
O que não percebemos é que gastamos muito, muito tempo nos inflando de informações (irrelevantes em sua maioria) e é por isso que temos a sensação de falta de tempo para o que é realmente importante e transformador.
Vivemos num imenso mar de informação com profundidade centímetra.
Informação é importante, conhecimento é fundamental.
Fabricio Cunha®
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“Por um espírito de Natal recheado de cultura.”
Apresentaremos 50 resenhas sobre os mais diversos temas e autores, escritas por leitores também muito diferentes uns dos outros.
A ideia é te sugerir um belo cardápio de todo tipo de literatura pra que algum livro seja a tua primeira opção de presente para esse Natal.
Se for pra movimentar o mercado, que seja com prosa e poesia, conto e crônica, história e estória.
CURTA, COMPARTILHE, LEIA E DIVULGUE!!!
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Meu desencanto com a Escatologia é culpa minha.
Acho que ouvi controvérsias demais sobre a era vindoura e acabei me encantando mais pelo presente do que pelo futuro.
Na verdade, penso que tudo o que de fato temos é o presente. E o perdemos, seja por influência negativa do passado, seja pelo afã demasiado pelo futuro.
O Apocalipse é um livro bem menos futurista do que pensamos. Trata da relação de um circuito de igrejas da época com o culto, a fidelidade a Deus, a “frustração” pelo “não”-retorno de Cristo e a opressão do império romano, estabelecendo a vitória do Cordeiro como o último capítulo da história.
Sim, a vitória de Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus, sobre todo tipo de morte e opressão é uma cena linda, de um capítulo que anseio viver de forma plena no futuro, mas do qual posso experimentar lampejos, fazendo com que o Cristo triunfe sobre o mal em mim e através de mim.
Mas, enquanto isso, as coisas não vão bem aqui nessa terra onde eu e você estamos vivendo o nosso pequeno e breve capítulo na história.
Não tenho grandes pretensões como o “fazer” ou o “mudar” a história, mas também não quero comprometer minha pequena parcela de existência, com aquilo que não resvale a eternidade.
Mas por que mesmo comecei a escrever isso?! Ah, sim, por causa da discussão sobre o inferno, desencadeada pela entrevista do Rob Bell nas páginas amarelas da Veja. Não li, mas lerei ainda hoje. Antes mesmo de ler, sabe o que acho? Então…
Enquanto os teólogos legislam sobre a existência ou não do inferno, gente demais vive o inferno em seu dia a dia por falta de salvação.
Quer conhecer “um” inferno? Ei-lo aqui: “Débora Noal descobriu que o inferno existe e está no Congo” (Clique aqui, leia e chore)
Como diz meu amigo Bernardo Cho, “estou com preguiça tanto de Rob Bell, quanto de John Pipper (seu crítico mais severo).”
Maranata!!!
Fabricio Cunha®
Acredito que Deus tem um projeto redentor na história e que esse projeto, nesse momento, tem sido exercido pela Igreja, corpo de Cristo, que atrai a redenção escatológica para a história através do exercício da autoridade de Cristo, que é de direito, conforme Mateus 28, e que se torna de fato na terra quando a Igreja a exerce em nome de seu cabeça.
Acredito que Deus decidiu intervir na história através de Seu povo e que o protagonismo disso não deixou de ser Dele, através do Espírito Santo que habita em nós.
Acredito que tudo o que passa disso é um misto de contingência, intempérie e mistério.
Acredito que a Sua vontade já está determinada e expressa na Escrituras e que devemos buscá-la. Buscá-la é agradá-lo, realizá-la é glorificá-lo.
E, sim, acredito na predestinação. Acredito que Ele nos predestinou para as boas obras, as quais, de antemão, preparou para que andássemos nelas”. Mas, determinismo, nisso não, pois o determinismo é a legitimação da desigualdade e da injustiça. Se as coisas estão assim, foi porque Deus as determinou? Não.
Acredito que contingências, intempéries, catástrofes, acidentes, não são sua vontade permissiva, vontade desejável ou qualquer outra nomenclatura idiota que tentemos dar para justificar a realidade mais aviltante ao caráter amoroso de Deus, o mal.
Deus não pune com o mal. O mal não pode nascer de alguém cuja substância principal é o amor.
O mal, tendo acontecido “apesar de Deus”, ainda assim pode ser matéria-prima nas mãos Daquele que é especialista em romper com ciclos malignos e converter o mal em bem. E nos convida a participarmos com ele desse processo.
Um amigo disse-me uma vez que se fosse sintetizar Eclesiastes em uma linha, diria “Deus existe, mas o mundo não faz sentido”. Permito-me inverter a frase: O mundo não faz sentido, mas Deus existe.
Fabricio Cunha®