Salve a madrugada, salve o silêncio, salve o sono, salve a Coca, salve o trem e o barulho que faz aqui em frente.
Salve os amigos, salve o @ariovaldo , salve a @brauliaribeiro , salve o Salva e as comidas que ele faz.
Salve a Vila, a Freguesia, salve o Chico, salve a poesia, salve os vestidos, salve a saudade, salve o passado, o presente e o futuro.
Salve os chatos, os legais e os mais ou menos. Os essenciais, salve e salve. Salve os grandes, salve os pequenos.
Salve Cartola, salve Tom e Vinícius, salve o samba e nos salve do pagode. Salve as rodas, as cantigas, os coretos e as marchinhas.
Salve a malandragem, mas só a boa. Salve @vitorkivitz , seu violão e suas rimas, salve o futebol, minhas pernas e meus dribles.
Salve a madrugada, as corujas e morcegos, salve as estrelas, salve Garrincha, seu dribles, e a tortidão de suas pernas.
Salve o mar, salve o vento, salve as fogueiras, os acampamentos, salve as conversas ao pé do ouvido, salve os amigos de ontem e de hoje.
Salve a lua, salve a lua, salve a lua, a cheia, a crescente e a nova, a minguante não. Salve a míngua da tristeza e a abundância da alegria.
Salve o Rio, salve o Rio, salve o Rio, seu solo, seu subsolo, seu mar, salve sua gente boa, salve sua alegria escancarada.
Salve o amor, salve a dor, salve a vida, salve os que dormem, aos que trabalham, salve aos que dormem no trabalho. Salve os que só dormem.
Salve o careca, salve o sarará, salve as crianças, salve o corriqueiro, o ordinário, salve o extraordinário, mas só de vez em quando.
Salve o alumbramento, salve Pessoa, salve Veríssimo, mas só o Érico, salve o futebol, salve os olhos que enxergam, que também vejam.
Salve a minha noite, salve o açaí e tudo o que se faz com ele, salve o wifi, salve as redes abertas, salve a Vila Maria, a Terezinha.
Salve os Mercados Municipais do mundo todo, mas só os que servem pastel de queijo mineiro, salve a Tubaína, a Guaranita também, o Jesus não.
Salve o salve, salve os que salvam, salve o Salvador, salve a salvação, salve o salvar, salve e salve.
Fabricio Cunha
Estamos em meados de Janeiro, o ano acadêmico já está a todo vapor (pelo menos aqui na terra do frio), e eu realmente deveria estar fazendo outra coisa neste exato momento. Mas, resolvi aproveitar minha pausa de hoje para fazer um breve comentário sobre o video religioso (isso mesmo, religioso) intitulado “Jesus>Religion” (http://www.youtube.com/watch?v=1IAhDGYlpqY), que está muito em voga ultimamente nas redes sociais.
Eis o porque que eu acho essa ideia de um “Jesus sem religião” profundamente insatisfatória:
1- Para começar, esses movimentos anti-religião usam péssima terminologia. Religião, nas palavras de Tony Jones (ecoando Friedrich Schleiermacher), é a expressão da experiência humana com o transcendente; não é algo necessariamente bom, nem ruim, é simplesmente inevitável. Só que para a turma do Jesus não-religioso, “religião” é um termo que encapsula todas as suas experiências negativas em relação a fé. Em outras palavras, os não-religiosos chamam de religião tudo aquilo que os marcou negativamente ao longo da vida, incluindo aquilo que não correspondeu ao apetite de seu consumismo religioso. Tudo bem, há pessoas que sofreram formas genuínas de abuso em instituições religiosas e, portanto, é até compreensível que alguns achem interessante demonstrar aversão ao termo. Mas, isso não justifica a má terminologia. Transferir ao termo “religião” todo tipo de conotação pejorativa é tão simplista e ilegítimo quanto dizer que a instituição da “família” é ruim pelo fato de existirem pais que abusam de seus filhos – uma sugestão que beira a burrice.
2- Colocar Jesus contra religião é uma dicotomia falsa. Aquela frase “religião é o homem em busca de Deus, e cristianismo é Deus em busca do homem” pode até soar bonito, mas é superficial. O cristianismo é a religião que tem como matriz o evangelho de Jesus, a mensagem do Deus que veio ao mundo na pessoa de Seu Messias. Não obstante, o cristianismo, tendo emergido da religião veterotestamentária através da proclamação escatológica dos apóstolos, é religião sim. Aliás, Jesus mesmo tinha uma religião – a do Sinai. E ele não veio “abolir a religião,” nem se colocar “no outro extremo do espectro.” Jesus veio, nas palavras de N. T. Wright, redefinir o povo de Deus ao redor de si mesmo. Isso significa que Jesus não está necessariamente em oposição à religião; significa que ele veio mostrar sua finalidade. O próprio irmão de Jesus, Tiago, sugere isso: “A religião que Deus, o Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas necessidades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1:27). Além disso, se Jesus tivesse abolido a religião e suas expressões ou, como muitos gostam de dizer hoje em dia, toda forma de fé institucionalizada, como é que ele pôde estabelecer sacramentos, como o batismo e a ceia? Não nos esqueçamos também de que não existe cristianismo individual, sem comunidade. Como T. F. Torrance acertadamente definiu, “conversão é o retornar do eu individualista para o nós coletivo.” Congregar é estar com outros em nome de Jesus. E uma reunião onde dois ou mais estão em nome de Jesus já é em si um ato religioso e institucional, mesmo que tal grupo não tenha um CNPJ.
3- O anti-religiosismo de hoje é raso do ponto de vista exegético e pobre no que diz respeito a sua consciência histórica. Sobre isso, não há muito o que dizer. A realidade do segmento mais pop do evangelicalismo contemporâneo diz por si só. É extremamente necessário que cada geração reformule a maneira de pensar e expressar sua fé, de acordo com os desafios de sua época. Mas, precisamos fazer isso com o mínimo de perspicácia, não é verdade? O rapzinho meia-boca do “Jesus>Religion” em momento algum reflete um pensamento crítico sério em relação aos problemas reais dos nosso dias. Como diria Carlos Nascimento, “nós já fomos mais inteligentes.”
4- E finalmente, dizer que “sou de Jesus, mas não sou de nenhuma religião” é no fundo, uma afirmação arrogante, afinal, a ideia de que “Jesus>Religion” pressupõe que aqueles que “são de Jesus” estão num patamar mais elevado do que os demais indivíduos da raça humana, que (cruz credo, pobrezinho deles) confessam uma religião. Já que os “de Jesus” não têm uma religião, mas vivem o “cristianismo puro e simples” (como se existisse cristianismo sem dialética com sua época), são eles os verdadeiros iluminados. E o critério para se discernir se você é de fato um cristão verdadeiro é simples: basta você não ter compromisso nenhum com a religião ou com a instituição. A ironia é que, enquanto os anti-religiosos se dizem livres da maldição de serem julgados por sua aparência exterior (como costumes, vestimenta, etc.), eles mesmos julgam como “religiosos” todos aqueles que seguem qualquer tipo de tradição. Se esquecem, porém, de que Deus vê além das aparências, independente se você expressa abertamente sua religião ou não. O anti-religiosismo, portanto, tão preocupado em ser cool e diferente, não passa de mais uma expressão religiosa, igualzinha as demais.
Ser de Jesus, meus caros, é viver a religião em sua finalidade mais plena.
Bom, agora deixa eu voltar ao tabalho. Afinal, a Luiza já voltou do Canadá, mas eu não.
Bernardo Cho
( http://bernardocho.wordpress.com/2012/01/21/a-religiosidade-dos-nao-religiosos/ )
As crianças sabem muito da vida. Tenho três aqui em casa.
Quando chove muito, costumam dizer que Deus está triste e chora suas lágrimas sobre a terra.
Têm razão.
Foi assim hoje.
Deus olhou aqui para São José dos Campos, onde moro, e viu aquela gente simples, pequena, pobre, sem voz, ser escorraçada do Pinheirinho, uma ocupação que abriga aproximadamente 8 mil pessoas desde 2004. (Clique aqui para saber mais).
Já fui lá muitas vezes. Hoje, pela última.
Andei, conversei, levei água e abraços pra alguns conhecidos e muitos desconhecidos. Senti-me completamente impotente diante da desgraça humana.
Minha amiga Loide, foi lá mais cedo. Viu uma senhora saindo da ocupação ainda muito desnorteada. Loide foi em sua direção e a abraçou em silêncio. A senhora dizia e repetia: “é a vida, minha filha, é a vida”. Não, minha senhora, não era pra ser assim. Seu pedacinho de terra deveria ser garantido pelo Estado, que deveria protegê-la, mas não. Junto dela, um sem número de gente levando o pouco que lhe restou em sacos de supermercado, mochilas velhas, malas esgarçadas, expressão de sua vida.
Ninguém me contou. Eu vi!
Quando esse tipo de interpretação do conceito de propriedade privada sobrepõe a dignidade humana, há algo de muito errado em nossa sociedade.
Quando uma prefeitura finge que não vê um número tão grande de pessoas e não as considera em sua gestão, há algo de muito errado com a política.
Quando um prefeito lava as mãos em silêncio diante de um fato que acontece debaixo de seus olhos, há algo de muito errado com um líder.
E quem sofre mais uma vez? O pobre, a viúva, o estrangeiro, as crianças, como bem nos disseram os profetas e o Messias.
Já vi muita coisa linda na vida, mas são as feias que não saem de minha cabeça, que insistem em gritar dentro de mim que algo vai mal, que algo está errado e que não posso dormir tranquilo.
Chore sim, Senhor. Chore muito. O choro de um pai que vê seus filhos sendo despachados novamente ao exílio, ao exílio da dignidade, da inclusão, da humanidade, de seu chão.
Chore sim, Senhor e que seu choro esconda o nosso, nos alivie a dor e nos motive a continuar lutando pelo que vale a pena.
Que seu choro amoleça a terra do Pinheirinho, tanto tempo infrutífera, e que do juntar do sangue e do suor ali derramados com as suas lágrimas de dor, a esperança nasça e renasça apontando a vida.
Mas hoje é dia de lamentar a morte.
Fabricio Cunha
Perguntas e respostas simples e cotidianas, as que passam despercebidas, revelam muito sobre as pessoas.
Acabo de comprar o primeiro apartamento de minha vida. A realização de um sonho. Nunca imaginei que esse dia chegaria, mas, teimosamente, imaginava esse lugar. Pensava na sala que comportasse os amigos para assistirmos uma partida do São Paulo Futebol Clube pela TV, numa cozinha que desse para o Júnior cozinhar as suas especiarias, num quarto que desse para o Rogério dormir de vez em quando, numa varanda onde eu pudesse tocar minha viola, em espaços onde coubessem algumas plantinhas e quadros.
Mas ninguém me perguntou sobre viola, plantas, quarto pra amigo, espaço pra ver jogo. Queriam saber a metragem, o valor, quanto dei de entrada, em quantos anos pagaria. Todas, perguntas cujas respostas seriam números.
Adultos gostam de números. Os números são os aferidores de sucesso. Alguém cujo salário é “x”, é mais importante do que o outro alguém cujo salário é “x menos algum número”. Quem mora em “y” metros quadrados mora melhor do que quem mora em “y menos algum número” de metros quadrados. Os números são um importante aferidor de sucesso, mas um péssimo aferidor de alegria e contentamento.
Por isso prefiro as crianças. Conhecem pouco sobre os números. A Catarina gostou do cachorro, o Thiago, do pequeno salão de brinquedos e a Sophia, do papel de parede roxo, a única coisa que eu mudaria na casa. Não sabem, nem querem saber nenhum outro dado sobre a sua nova residência. O que sabem é suficiente para se verem felizes ali.
Quando eu era criança, queria ser lixeiro. Perguntavam-me a clássica: “o que você vai ser quando crescer”. Não titubeava: “lixeiro”, para a frustração de todos. Que vida deliciosa a de andar pela cidade toda pendurado num caminhão, brincando de acertar sacos dentro da caçamba, conhecendo gente nova todo dia. Eu tinha certeza de que era isso que queria. Liberdade, aventura e amigos. Eu subia nos carrinhos de supermercado e ía jogando enlatados, pacotes de arroz, feijão e farinha pra dentro do carrinho. Às vezes jogava um pote de requeijão, que se espatifava todo. Estava simulando o que seria quando crescesse.
Cresci e vi que a liberdade e a aventura de ser lixeiro não trariam os números que eu precisava para ser “alguém na vida” e desisti.
Mas ainda sei que nenhum número compra nem liberdade, nem aventura e muito menos amigos.
Fabricio Cunha
”E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36).
Não sou um escritor renomado, um filósofo ou um parlador de sucesso, mas sou seguidor de Jesus de Nazaré. E, com Ele, tenho aprendido que a compaixão é um dos sentimentos mais relevantes que podemos carregar e, principalmente, espalhar por aí.
É por meio dela, a compaixão, que conseguimos oferecer algo novo a alguém que se assemelha a uma ovelha que não tem pastor, desesperada e desorientada. Com Ele (Jesus), tenho aprendido que no sofrimento de alguém, não devemos descarregar nossas filosofias, teologias ou políticas. Devemos apenas estender a mão.
Compaixão é diferente de pena.
Tenho compaixão por quem vive na escuridão, com pouquíssima oportunidade de enxergar alguma luz.
Tenho pena de quem vive na luz e poderia usar isso pra ajudar aqueles da escuridão. Em vez disso, alguns optam por usar a luz pra mostrar seu dedo em riste, cheio de julgamentos e ódios, de maneira bem visível.
Que Deus fortaleça e encontre espaços para a compaixão no coração de muitos. E que o ódio de (infelizmente) tantos outros não prevaleça.
Domingo na Comunidade Batista Vida Nova, lembrei-me de uma história.
Num terremoto na Turquia, dentre tantas coisas afetadas, estava uma escola primária.
Um pai, em casa, ao perceber o caos ao seu redor, correu para a tal escola, em busca de seu filho pequeno.
Chegou quase junto aos bombeiros. Viu as crianças saindo de debaixo dos escombros, uma a uma, mas nada de seu filho.
No auge do desespero, ouviu a voz do pequeno, que foi o último a sair lá de dentro.
Perguntou: “meu filho, por que demorou tanto a sair?”.
Ao que ouviu: “pai, meus amigos não têm um pai como você. Fiquei tranquilo e os deixei saírem primeiro. Eu sabia que assim que saísse, você estaria aqui fora, me esperando.”
A certeza de que os mesmos braços que nos dão colo, nos empurram pra vida e nos sustentam quando precisamos, também estão prontos a nos socorrer e acolher, nos dá segurança e serenidade mesmo em meio ao caos.
Fabricio Cunha
1. Andando pelo shopping com a Catarina (03 anos), sou surpreendido com um grito dela e um pulo contra uma vitrine. Pergunto:
- O que foi menina?
Responde:
-Pai, você não viu uma camisa do Corinthians?
Procuro acalmá-la:
-Não precisa ter medo, meu amor.
E ela me surpreende:
-Não tô com medo, pai. Tô com nojo!
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2. Thiago coloca uma máscara do Patati.
Sophia olha e comenta:
-Nossa, que máscara horrível.
Thiago tira prontamente, ao que a Sophia imenda:
-Ai Thiago, coloca a máscara de novo.
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3. Uma senhora crente evangélica descobre que sou pastor e comenta com a Sophia, minha mais velha, 09 anos:
- Você é filha de pastor?! Então você é uma menina crentinha!
Sophia:
- Crentinha? Mas o que é isso?
Senhora:
-Uma criança crente.
Sophia:
-Mas o que é crente?
Senhora:
-Uma menina evangélica, ué?!
Sophia:
-Mas o que é evangélica?
…
O pior é que fiquei feliz!!!
São poucos os que têm um conhecimento mínimo sobre a “função social da terra” e o conceito de propriedade privada.
Há alguns anos um grupo de pessoas começou uma ocupação numa área da periferia da Zona Sul de São José dos Campos. Pouco mais tarde, o MUST, Movimento Urbano dos Sem Teto, assumiu a organização.
Desde então tem lutado pela desapropriação do local e por sua regularização.
Estima-se a presença de oito mil pessoas no local, que é uma das maiores ocupações urbanas do país. Desses oito mil, as crianças são perto de três mil.
Para se ter uma ideia, a PMSJC não os reconhece como moradores da cidade a ponto de não os inserir em nenhum dos programas de ação social da cidade.
São tratados como “invasores”, um câncer na cidade, cuja gestão atual concentra-se em governar para o núcleo rico da cidade. Aliás, votei no PSDB local nas últimas 3 eleições. Mas essa falta de iniciativa para questões centrais em nossas periferias tem sido uma prática comum do atual prefeito. Suas gestão está localizada no centro e focada nas classes A e B. A situação do Pinheirinho é só a expressão pública mais evidente de uma realidade patente.
A questão é que eles não invadiram, eles ocuparam. E o que fizeram é legítimo e tem respaldo legal. Se assim não fosse, todos estariam passíveis de serem presos, o que não é o caso.
Segundo o procurador da República, Robério Nunes dos Anjos Filho, “historicamente, no entanto, a utilização desses bens nem sempre obedece a regras que dizem respeito ao proveito que possam ter para os demais membros da coletividade, servindo em toda a sua extensão apenas ao proprietário. Essa situação, porém, sofreu alterações significativas no último século. A propriedade deixou de ser vista sob a ótica romanística, como um direito absoluto, exclusivo e perpétuo, relativizando-se. Nesse novo quadro, a discussão acerca da função social dos bens, objeto do presente estudo, possui relevante papel, pois visa coibir as deformações de ordem jurídica ocasionadas pelo uso egoístico e degenerado da propriedade.”
Toda “terra urbana” está debaixo dessa função social. isso se deve em razão de submeter o acesso e o uso da propriedade ao interesse coletivo. A propriedade urbana cumpre a sua função social quando destinada para satisfazer as necessidades dos habitantes de toda cidade e não somente de seu proprietário. Os parâmetros para a satisfação destas necessidades são os componentes como o direito à moradia digna, acesso a terra urbana, à saúde, à educação, ao meio ambiente, ao transporte e serviços públicos, à infra-estrutura urbana, ao saneamento ambiental, ao trabalho, ao lazer e à cultura. A propriedade passa, assim, a ter o seu uso condicionado ao bem -estar social e, portanto, a ter uma função social e ambiental.
A função social da propriedade é o núcleo central da propriedade urbana. O direito à propriedade urbana somente é passível de ser protegido pelo Estado, no caso da propriedade atender à sua função social.
Toda terra pode ser propriedade privada quando cumpre a função para qual está designada, sob amparo da constituição. Quando uma propriedade deixa de cumprir a função que deveria por mal uso ou falta de uso, ela passa novamente a ser propriedade do Estado e, por consequência, deve favorecer a sua população.
A terra do Pinheirinho estava sub-utilizada, ou melhor, não utilizada.
O processo natural seria a desapropriação, que é o que está tentando o MUST local.
Mas não, o judiciário tem sido arbitrário e avaliado a causa com nítida tendência.
Já a PMSJC poderia ter feito muito antes o que não dá mais pra fazer agora:
1. A Prefeitura já deveria tê-los inserido em nossos programas sociais regulares. Assim, já haveria um nível de estruturação que constrangeria o judiciário;
2. A PMSJC já deveria ter direcionado a população do Pinheirinho para outras áreas, evitando o urgente calamitoso que assistiremos esses dias, isto é, não era pra prepararmos uma ação de emergência mas, diante de tanto tempo dessa realidade patente, termos nos antecipado e já distribuído essa população com dignidade, serenidade e estratégia;
3. Temos recursos para isso, como cidade com um dos mais altos PIB’s do país;
4. Se tal área já tivesse sido regularizada dentro de nosso planejamento urbano, o judiciário decidiria com outras categorias;
5. Como um problema público crônico, a PMSJC já deveria ter encaminhado tudo isso como assunto de interesse público municipal e não deixado que os próprios moradores, representados por um advogado, o fizessem. Esse não é um assunto deles somente. É um assunto da cidade, do estado e da federação e deveria ser tratado e encaminhado como tal.
O silêncio da PMSJC é vergonhoso. O dos vereadores, constrangedor.
Para cada “aproveitador” do Pinheirinho, são 10 adultos honestos e mais 15 crianças. Para cada bandido escondido lá, são 200 adultos honestos e 300 crianças. Criminalizar o Pinheirinho e agir arbitrariamente é crime! A Prefeitura não se pronuncia por ser uma decisão da justiça é mais ou menos como o marido não agir porque é a esposa que está com câncer. Uma vergonha.
Agora é tarde e estamos para presenciar o caos em nossa cidade e, mais um vez, quem sofrerá todo o ônus será a população pobre, sem recursos, sem condições, sem o básico, mas com dignidade o bastante para lutar por sua terra, terra que lhe é devida e que grita por todo suór que ali já foi derramado e gritará ainda mais quando esse suór se transformar em sangue.
Espero estar errado…
Fabricio Cunha