Sobre a religião e seus derivados (II), por Jonathan Menezes

Quando profetas como Amós, por exemplo, criticam os cultos, encontros religiosos, ritos e formas de se “achegar a Deus”, o que afinal ele está criticando? Ele está denunciando a forma de religião predominante em Israel, sem entrar no mérito de dizer “toda religião”, ou “a religião”. Talvez uma coisa que esteja faltando às nossas genéricas classificações é “dar nome aos bois”. E isto Amós faz. Observem o seguinte trecho (na tradução “A Mensagem”, de Eugene Peterson):

Não suporto os encontros religiosos de vocês. Estou cheio dos seus congressos e convenções. Não me interessam seus projetos religiosos, seus lemas e alvos presunçosos. Estou enojado das suas estratégias para levantar fundos, das suas táticas de relações públicas e criação da própria imagem. Não suporto mais sua barulhenta música de culto ao ego. Quando foi a última vez que vocês cantaram para mim? Alguém aí sabe o que eu quero? Eu quero justiça – um mar de justiça. Eu quero integridade – rios de integridade. É isso que eu quero. Isso é tudo que eu quero (Am 5.21-24 – Grifos meus).

A religião criticada por Amós é covarde e superficial, porque marginaliza o que realmente importa e põe no centro o trivial e menos relevante. Confunde retidão com justiça própria e santidade com abstinência; faz dos sacrifícios e rituais o último bastião da espiritualidade, dissociando-a completamente da vida, da misericórdia e da sede por justiça. Afirma uma sede incontrolável por Deus e seus mandamentos, mas é incapaz de reconhecê-lo no próximo, no diferente, no samaritano à beira do caminho.

Daí, muitos desses encontros, congressos, convenções e projetos religiosos aos quais se refere o profeta, terem se tornado, para Deus, um negócio insuportável e indigno de atenção. Mais “culto ao ego” que outra coisa. Daí a pergunta: “Quando foi a última vez que vocês cantaram para mim?”. E o que é viver e cantar “para Deus”?

É anelar por Deus com todo o nosso ser; é deixar ser movido e tocado pelas coisas que mobilizam o coração de Deus (o que sabemos por meio da Palavra); é desejar ardentemente que sua vontade seja feita tanto aqui na terra, como no céu; é lutar para que a justiça corra como rio que não seca; é buscar viver em integridade e afastar ao máximo do nosso caminho a hipocrisia. Mas, como? E seria isto outra forma de religião? Não sei, talvez, quem sabe. Linguagem, tudo passa por ela.

Não é novidade para ninguém que muitos sistemas religiosos se alimentam da hipocrisia e não subsistem sem ela. Muitas igrejas têm sido – até que provem a si mesmas e ao mundo o contrário – ao invés de centros de misericórdia e compaixão e comunidades de reino, covis de hipocrisia, onde o livre pensar é reprimido (sobretudo em assuntos como sexualidade, por exemplo), e o discordar (mais ainda da liderança e da orientação doutrinária) é tratado como pecado. Exceções à regra (os remanescentes) existem, é claro, mas com a sina de ter que “nadar contra a maré”, caso não (ou até que) se deixem corromper pelo “se não pode vencê-los, junte-se a eles”.

A hipocrisia vai, dessa forma, recebendo outros nomes, e vai sendo ornamentada com vestes outras, mais sofisticadas quem sabe (embora não menos vorazes) e se torna peça indispensável ao bom funcionamento da engrenagem, mascarada pelo discurso de que assim estaremos “no centro da vontade de Deus”. Como corolário disso e de outras tendências já bastante enraizadas, como a privatização da espiritualidade e a religião de consumo, as pessoas vão à igreja apenas para nutrir o lado “lúdico” da fé, que congrega e agrega a massa dos que querem distância do conflito e que relega aos ditos apóstatas, hereges e perdidos o lado trágico (e sombrio) da existência.

A hipocrisia tenta eliminar o sofrimento a todo custo e promover uma espécie de narcótico gospel como sustentáculo para uma fé “que funciona”. Uma fé que desconhece a compaixão, porque só age para aliviar a dor; que tem desconfiança em relação ao mistério, ao desconhecido e às incertezas; que pensa que testemunhar é igual a fazer propaganda de sua fé, e se distancia da prática da justiça por estar tão ofuscada com as celebrações e homenagens, públicas e privadas, ao “seu Deus” – o “meu Deus isso”, o “meu Deus aquilo”.

Essa fé é substrato da hipocrisia. Irracional e inconscientemente, muitas vezes, ela canta: “Hipocrisia, eu quero (eu preciso de) uma pra viver!”. Nos lugares onde ela é vivida, as palavras de Jesus – “Acautelai-vos do fermento dos fariseus!” – ecoam como gritos em uma terra de surdos.

Porque acautelar-se, talvez, implique em passar pela via da admissão honesta de que, no fundo, todos (digo, os que nos servimos do sistema religiosos, ou os que se encontram, como eu, em processo de libertação de suas entranhas) somos um pouco como os fariseus ou hipócritas – o que seria um total absurdo e falta de espiritualidade, para muitos. Se toda mulher é meio Leila Diniz, como diz a canção “Todas as mulheres” de Rita Lee, então (digo isso contra meu melhor senso) todo crente é meio hipócrita e, por natureza, religioso (no sentido que Amós abomina), até que prove o contrário lutando contra tal orientação.

Jonathan Menezes

(em: http://escreveretransgredir.blogspot.com/ )

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Para continuar o debate sobre “religião”: “A Religião e Seus Derivados ( I )

No atual momento, vemos tomar corpo um movimento de pessoas que se dizem apaixonadas por Jesus, mas que não gostam mais da igreja, detestam as instituições em geral, e desenvolveram uma ojeriza pelo que chamam de “religião” – a meu ver, a religião institucionalizada. Estes estariam dentro dos 7,9% da pesquisa acima exposta.

O mote de sua trajetória está no slogan: “Mais Jesus e menos religião”. O problema é que, nesse meio termo, apareceram outros apresentando outra visão de religião, mais positiva talvez, alegando que a religião faz parte da história humana desde sempre e tem oferecido contribuições importantes a ela. Em outras palavras, por mais que critiquemos a religião, não vivemos sem ela. Nesta discussão pouco criteriosa, termos como religião, religiosidade e espiritualidade acabam sendo utilizados de modo intercambiável, como se um fosse ou pudesse ser sinônimo para outro. E a confusão se vê armada. Podemos desatar este nó?

Em primeiro lugar, a discussão sobre as terminologias (religião, religiosidade, espiritualidade, etc.) é in-termi-nável. Todas são palavras polissêmicas, se considerarmos o diálogo interdisciplinar, ou mesmo o senso comum. Em segundo lugar, esse movimento (por um cristianismo não-religioso) não é novo. Já vimos isso no século XX, através de Karl Barth, e mais fortemente na teologia de Dietrich Bonhoeffer, na teologia secular (Cox) e da morte de Deus (Robinson e Cia), dentre outros.

A diferença para o que tenho visto atualmente é que esses últimos me parecem ter sido mais intencionais, proposicionais e consistentes (quer se concorde com eles ou não) no sentido de formular respostas relevantes aos problemas e movimentos de seu tempo, e não um flash mob de descontentes, como parece se apresentar grande parte do movimento atual. É preciso conferir mais coerência e conteúdo aos nossos descontentamentos.

No que diz respeito às terminologias, Tillich, por exemplo, falando sobre a clássica diferenciação entre religião e revelação em sua Teologia Sistemática, afirma que toda revelação pressupõe um receptor. E, considerando não haver receptor “puro” (isto é, livre da influência de sua cultura e da ideologia), e consequentemente nenhuma forma de fé, interpretação ou verdade universalmente válida, a recepção em si já é uma religião. Assim, o que Tillich chama de “religião” seria o processo de recepção e, por conseguinte, de significação da revelação. Nesta acepção, não há revelação sem religião e todos os que vivem conforme a revelação de Deus poderiam ser considerados religiosos.

Então, para começo de conversa, precisamos tentar entender qual religião esse movimento atual quer de menos, e qual Jesus ele quer de mais, para poder avançar no debate, não acham? Arriscar-me-ei, então, no próximo post a expor algumas impressões mais particulares sobre o tema.

Jonathan Menezes

(em: http://escreveretransgredir.blogspot.com/ )

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Vários Salves

Salve a madrugada, salve o silêncio, salve o sono, salve a Coca, salve o trem e o barulho que faz aqui em frente.

Salve os amigos, salve o @ariovaldo , salve a @brauliaribeiro , salve o Salva e as comidas que ele faz.

Salve a Vila, a Freguesia, salve o Chico, salve a poesia, salve os vestidos, salve a saudade, salve o passado, o presente e o futuro.

Salve os chatos, os legais e os mais ou menos. Os essenciais, salve e salve. Salve os grandes, salve os pequenos.

Salve Cartola, salve Tom e Vinícius, salve o samba e nos salve do pagode. Salve as rodas, as cantigas, os coretos e as marchinhas.

Salve a malandragem, mas só a boa. Salve @vitorkivitz , seu violão e suas rimas, salve o futebol, minhas pernas e meus dribles.

Salve a madrugada, as corujas e morcegos, salve as estrelas, salve Garrincha, seu dribles, e a tortidão de suas pernas.

Salve o mar, salve o vento, salve as fogueiras, os acampamentos, salve as conversas ao pé do ouvido, salve os amigos de ontem e de hoje.

Salve a lua, salve a lua, salve a lua, a cheia, a crescente e a nova, a minguante não. Salve a míngua da tristeza e a abundância da alegria.

Salve o Rio, salve o Rio, salve o Rio, seu solo, seu subsolo, seu mar, salve sua gente boa, salve sua alegria escancarada.

Salve o amor, salve a dor, salve a vida, salve os que dormem, aos que trabalham, salve aos que dormem no trabalho. Salve os que só dormem.

Salve o careca, salve o sarará, salve as crianças, salve o corriqueiro, o ordinário, salve o extraordinário, mas só de vez em quando.

Salve o alumbramento, salve Pessoa, salve Veríssimo, mas só o Érico, salve o futebol, salve os olhos que enxergam, que também vejam.

Salve a minha noite, salve o açaí e tudo o que se faz com ele, salve o wifi, salve as redes abertas, salve a Vila Maria, a Terezinha.

Salve os Mercados Municipais do mundo todo, mas só os que servem pastel de queijo mineiro, salve a Tubaína, a Guaranita também, o Jesus não.

Salve o salve, salve os que salvam, salve o Salvador, salve a salvação, salve o salvar, salve e salve.

Fabricio Cunha

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A Religiosidade dos “Não-Religiosos”

Estamos em meados de Janeiro, o ano acadêmico já está a todo vapor (pelo menos aqui na terra do frio), e eu realmente deveria estar fazendo outra coisa neste exato momento. Mas, resolvi aproveitar minha pausa de hoje para fazer um breve comentário sobre o video religioso (isso mesmo, religioso) intitulado “Jesus>Religion” (http://www.youtube.com/watch?v=1IAhDGYlpqY), que está muito em voga ultimamente nas redes sociais.

Eis o porque que eu acho essa ideia de um “Jesus sem religião” profundamente insatisfatória:

1- Para começar, esses movimentos anti-religião usam péssima terminologia. Religião, nas palavras de Tony Jones (ecoando Friedrich Schleiermacher), é a expressão da experiência humana com o transcendente; não é algo necessariamente bom, nem ruim, é simplesmente inevitável. Só que para a turma do Jesus não-religioso, “religião” é um termo que encapsula todas as suas experiências negativas em relação a fé. Em outras palavras, os não-religiosos chamam de religião tudo aquilo que os marcou negativamente ao longo da vida, incluindo aquilo que não correspondeu ao apetite de seu consumismo religioso. Tudo bem, há pessoas que sofreram formas genuínas de abuso em instituições religiosas e, portanto, é até compreensível que alguns achem interessante demonstrar aversão ao termo. Mas, isso não justifica a má terminologia. Transferir ao termo “religião” todo tipo de conotação pejorativa é tão simplista e ilegítimo quanto dizer que a instituição da “família” é ruim pelo fato de existirem pais que abusam de seus filhos – uma sugestão que beira a burrice.

2- Colocar Jesus contra religião é uma dicotomia falsa. Aquela frase “religião é o homem em busca de Deus, e cristianismo é Deus em busca do homem” pode até soar bonito, mas é superficial. O cristianismo é a religião que tem como matriz o evangelho de Jesus, a mensagem do Deus que veio ao mundo na pessoa de Seu Messias. Não obstante, o cristianismo, tendo emergido da religião veterotestamentária através da proclamação escatológica dos apóstolos, é religião sim. Aliás, Jesus mesmo tinha uma religião – a do Sinai. E ele não veio “abolir a religião,” nem se colocar “no outro extremo do espectro.” Jesus veio, nas palavras de N. T. Wright, redefinir o povo de Deus ao redor de si mesmo. Isso significa que Jesus não está necessariamente em oposição à religião; significa que ele veio mostrar sua finalidade. O próprio irmão de Jesus, Tiago, sugere isso: “A religião que Deus, o Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas necessidades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1:27). Além disso, se Jesus tivesse abolido a religião e suas expressões ou, como muitos gostam de dizer hoje em dia, toda forma de fé institucionalizada, como é que ele pôde estabelecer sacramentos, como o batismo e a ceia? Não nos esqueçamos também de que não existe cristianismo individual, sem comunidade. Como T. F. Torrance acertadamente definiu, “conversão é o retornar do eu individualista para o nós coletivo.” Congregar é estar com outros em nome de Jesus. E uma reunião onde dois ou mais estão em nome de Jesus já é em si um ato religioso e institucional, mesmo que tal grupo não tenha um CNPJ.

3- O anti-religiosismo de hoje é raso do ponto de vista exegético e pobre no que diz respeito a sua consciência histórica. Sobre isso, não há muito o que dizer. A realidade do segmento mais pop do evangelicalismo contemporâneo diz por si só. É extremamente necessário que cada geração reformule a maneira de pensar e expressar sua fé, de acordo com os desafios de sua época. Mas, precisamos fazer isso com o mínimo de perspicácia, não é verdade? O rapzinho meia-boca do “Jesus>Religion” em momento algum reflete um pensamento crítico sério em relação aos problemas reais dos nosso dias. Como diria Carlos Nascimento, “nós já fomos mais inteligentes.”

4- E finalmente, dizer que “sou de Jesus, mas não sou de nenhuma religião” é no fundo, uma afirmação arrogante, afinal, a ideia de que “Jesus>Religion” pressupõe que aqueles que “são de Jesus” estão num patamar mais elevado do que os demais indivíduos da raça humana, que (cruz credo, pobrezinho deles) confessam uma religião. Já que os “de Jesus” não têm uma religião, mas vivem o “cristianismo puro e simples” (como se existisse cristianismo sem dialética com sua época), são eles os verdadeiros iluminados. E o critério para se discernir se você é de fato um cristão verdadeiro é simples: basta você não ter compromisso nenhum com a religião ou com a instituição. A ironia é que, enquanto os anti-religiosos se dizem livres da maldição de serem julgados por sua aparência exterior (como costumes, vestimenta, etc.), eles mesmos julgam como “religiosos” todos aqueles que seguem qualquer tipo de tradição. Se esquecem, porém, de que Deus vê além das aparências, independente se você expressa abertamente sua religião ou não. O anti-religiosismo, portanto, tão preocupado em ser cool e diferente, não passa de mais uma expressão religiosa, igualzinha as demais.

Ser de Jesus, meus caros, é viver a religião em sua finalidade mais plena.

Bom, agora deixa eu voltar ao tabalho. Afinal, a Luiza já voltou do Canadá, mas eu não.

Bernardo Cho

( http://bernardocho.wordpress.com/2012/01/21/a-religiosidade-dos-nao-religiosos/ )

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Sobre a chuva, o choro e um lugar chamado Pinheirinho

As crianças sabem muito da vida. Tenho três aqui em casa.

Quando chove muito, costumam dizer que Deus está triste e chora suas lágrimas sobre a terra.

Têm razão.

Foi assim hoje.

Deus olhou aqui para São José dos Campos, onde moro, e viu aquela gente simples, pequena, pobre, sem voz, ser escorraçada do Pinheirinho, uma ocupação que abriga aproximadamente 8 mil pessoas desde 2004. (Clique aqui para saber mais).

Já fui lá muitas vezes. Hoje, pela última.

Andei, conversei, levei água e abraços pra alguns conhecidos e muitos desconhecidos. Senti-me completamente impotente diante da desgraça humana.

Minha amiga Loide, foi lá mais cedo. Viu uma senhora saindo da ocupação ainda muito desnorteada. Loide foi em sua direção e a abraçou em silêncio. A senhora dizia e repetia: “é a vida, minha filha, é a vida”. Não, minha senhora, não era pra ser assim. Seu pedacinho de terra deveria ser garantido pelo Estado, que deveria protegê-la, mas não. Junto dela, um sem número de gente levando o pouco que lhe restou em sacos de supermercado, mochilas velhas, malas esgarçadas, expressão de sua vida.

Ninguém me contou. Eu vi!

Quando esse tipo de interpretação do conceito de propriedade privada sobrepõe a dignidade humana, há algo de muito errado em nossa sociedade.

Quando uma prefeitura finge que não vê um número tão grande de pessoas e não as considera em sua gestão, há algo de muito errado com a política.

Quando um prefeito lava as mãos em silêncio diante de um fato que acontece debaixo de seus olhos, há algo de muito errado com um líder.

E quem sofre mais uma vez? O pobre, a viúva, o estrangeiro, as crianças, como bem nos disseram os profetas e o Messias.

Já vi muita coisa linda na vida, mas são as feias que não saem de minha cabeça, que insistem em gritar dentro de mim que algo vai mal, que algo está errado e que não posso dormir tranquilo.

Chore sim, Senhor. Chore muito. O choro de um pai que vê seus filhos sendo despachados novamente ao exílio, ao exílio da dignidade, da inclusão, da humanidade, de seu chão.

Chore sim, Senhor e que seu choro esconda o nosso, nos alivie a dor e nos motive a continuar lutando pelo que vale a pena.

Que seu choro amoleça a terra do Pinheirinho, tanto tempo infrutífera, e que do juntar do sangue e do suor ali derramados com as suas lágrimas de dor, a esperança nasça e renasça apontando a vida.

Mas hoje é dia de lamentar a morte.

Fabricio Cunha

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GENTILEZA – pequenas ações, grandes impactos

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Sobre as Perguntas, as Respostas e os Números

Perguntas e respostas simples e cotidianas, as que passam despercebidas, revelam muito sobre as pessoas.

Acabo de comprar o primeiro apartamento de minha vida. A realização de um sonho. Nunca imaginei que esse dia chegaria, mas, teimosamente, imaginava esse lugar. Pensava na sala que comportasse os amigos para assistirmos uma partida do São Paulo Futebol Clube pela TV, numa cozinha que desse para o Júnior cozinhar as suas especiarias, num quarto que desse para o Rogério dormir de vez em quando, numa varanda onde eu pudesse tocar minha viola, em espaços onde coubessem algumas plantinhas e quadros.

Mas ninguém me perguntou sobre viola, plantas, quarto pra amigo, espaço pra ver jogo. Queriam saber a metragem, o valor, quanto dei de entrada, em quantos anos pagaria. Todas, perguntas cujas respostas seriam números.

Adultos gostam de números. Os números são os aferidores de sucesso. Alguém cujo salário é “x”, é mais importante do que o outro alguém cujo salário é “x menos algum número”. Quem mora em “y” metros quadrados mora melhor do que quem mora em “y menos algum número” de metros quadrados. Os números são um importante aferidor de sucesso, mas um péssimo aferidor de alegria e contentamento.

Por isso prefiro as crianças. Conhecem pouco sobre os números. A Catarina gostou do cachorro, o Thiago, do pequeno salão de brinquedos e a Sophia, do papel de parede roxo, a única coisa que eu mudaria na casa. Não sabem, nem querem saber nenhum outro dado sobre a sua nova residência. O que sabem é suficiente para se verem felizes ali.

Quando eu era criança, queria ser lixeiro. Perguntavam-me a clássica: “o que você vai ser quando crescer”. Não titubeava: “lixeiro”, para a frustração de todos. Que vida deliciosa a de andar pela cidade toda pendurado num caminhão, brincando de acertar sacos dentro da caçamba, conhecendo gente nova todo dia. Eu tinha certeza de que era isso que queria. Liberdade, aventura e amigos. Eu subia nos carrinhos de supermercado e ía jogando enlatados, pacotes de arroz, feijão e farinha pra dentro do carrinho. Às vezes jogava um pote de requeijão, que se espatifava todo. Estava simulando o que seria quando crescesse.

Cresci e vi que a liberdade e a aventura de ser lixeiro não trariam os números que eu precisava para ser “alguém na vida” e desisti.

Mas ainda sei que nenhum número compra nem liberdade, nem aventura e muito menos amigos.

Fabricio Cunha

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Breve diálogo do Mestre com alguns ateus

- Mas Jesus, você existe mesmo?
- Sim, meus filhos, claro que existo.
- Mas qual a prova principal de que ainda existe?
- Meu corpo, vivo na terra.
- Que corpo?
-A igreja ué.
- Tipo a evangélica?
-Sim, inclusive.
-Ah Jesus….. Pára vai…
Fabricio Cunha
Ps.: Alguém não topa fazer um cartoonzinho desse breve diálogo?
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Sobre a Compaixão e a Pena

‎”E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36).

Não sou um escritor renomado, um filósofo ou um parlador de sucesso, mas sou seguidor de Jesus de Nazaré. E, com Ele, tenho aprendido que a compaixão é um dos sentimentos mais relevantes que podemos carregar e, principalmente, espalhar por aí.

É por meio dela, a compaixão, que conseguimos oferecer algo novo a alguém que se assemelha a uma ovelha que não tem pastor, desesperada e desorientada. Com Ele (Jesus), tenho aprendido que no sofrimento de alguém, não devemos descarregar nossas filosofias, teologias ou políticas. Devemos apenas estender a mão.

Compaixão é diferente de pena.

Tenho compaixão por quem vive na escuridão, com pouquíssima oportunidade de enxergar alguma luz.

Tenho pena de quem vive na luz e poderia usar isso pra ajudar aqueles da escuridão. Em vez disso, alguns optam por usar a luz pra mostrar seu dedo em riste, cheio de julgamentos e ódios, de maneira bem visível.

Que Deus fortaleça e encontre espaços para a compaixão no coração de muitos. E que o ódio de (infelizmente) tantos outros não prevaleça.

Fredy Cunha


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Um terremoto, um pai e dois sentimentos

Domingo na Comunidade Batista Vida Nova, lembrei-me de uma história.

Num terremoto na Turquia, dentre tantas coisas afetadas, estava uma escola primária.
Um pai, em casa, ao perceber o caos ao seu redor, correu para a tal escola, em busca de seu filho pequeno.
Chegou quase junto aos bombeiros. Viu as crianças saindo de debaixo dos escombros, uma a uma, mas nada de seu filho.
No auge do desespero, ouviu a voz do pequeno, que foi o último a sair lá de dentro.
Perguntou: “meu filho, por que demorou tanto a sair?”.
Ao que ouviu: “pai, meus amigos não têm um pai como você. Fiquei tranquilo e os deixei saírem primeiro. Eu sabia que assim que saísse, você estaria aqui fora, me esperando.”

A certeza de que os mesmos braços que nos dão colo, nos empurram pra vida e nos sustentam quando precisamos, também estão prontos a nos socorrer e acolher, nos dá segurança e serenidade mesmo em meio ao caos.

Fabricio Cunha

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