A VIDA, O EQUILÍBRIO E OS EXTREMOS

Pra vida ir bem, há que se equilibrar extremos.
Equilibrar não é eliminar. Não é viver no meio.
A maioria das pessoas abole os extremos.
Tentam de todo jeito viver no meio de tudo.
O meio é medíocre. Medíocre vem de “meio”.
Equilibrar extremos é saber a hora de viver de um lado e a hora de viver do outro.
A hora de mergulhar numa ponta e a hora de se proteger na outra.
A vida exige extremos.
Viver demanda extremos.
Quem vive no meio, não vive, sobrevive.
E sobreviver, diante da grandeza da vida, é pouco.
Muito pouco.

#Sobre

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TROLLAGEM À LA GENTE GRANDE #Sophia #PaiDeTrês

Ontem, 18h, toca meu telefone.

No identificador, Sophia, minha filha de 11 anos.

- Pai, preciso te falar uma coisa ao vivo. Mas tô muito ansiosa e com medo de tua reação.

- Fala logo, So. Já tô ficando preocupado.

- Não, pai. Tem que ser ao vivo. É uma coisa muito séria.

- Onde você tá agora, Sophia? To indo até você.

- Não, pai. Não precisa. Tô com medo da tua reação e prefiro falar pelo telefone mesmo.

- Fala logo! Fala logo!

- Então, pai. Eu tô… Eu tô… É… Eu tô namorando.

- O QUÊ??? TÁ MALUCA MENINA? O QUE É ISSO? TÁ DOIDA? ONDE VOCÊ TÁ AGORA???

- Pai! Você sabe que dia é hoje?

- SEI LÁ, SOPHIA!!! QUERO CONVERSAR COM VOCÊ AGORA. VOCÊ SÓ PODE ESTAR MALUCA, MENINA.

- Pai, calma. Hoje é primeiro de abril. (risos, muitos risos dela e de outras crianças ao fundo).

- Tu, tu, tu, tu, tu, tu…

Desliguei na cara dela.

Safada.

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Sobre o Prazer

O prazer é a mais humana de todas as expressões.

É nossa fuga para o sofrimento que é existir.

Ser dominado pelo prazer, é, entretanto, a exacerbação da irracionalidade das sensações. É ser dominado por impulsos não reflexivos.

Mas, toda castração é, por outro lado, o tolimento do “ser” humano.

O prazer é, portanto, aquilo que nos torna humanos por natureza, pois é a consciência de que, apesar da sucessão de processos naturais e naturalmente sem graça do existir, temos uma válvula extraordinária para nos lembrarmos que não somos “gado” e que podemos perverter o infortúnio de existirmos, arrancando dessa vida alguma coisa boa e gostosa.

 

#Sobre

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A ditadura que não vivi e a “ditadura” que vivo

Tava conversando com a Ester hoje, na hora do almoço… Tentávamos fazer o exercício mental de imaginarmos como seríamos, como nos posicionaríamos, como interferiríamos ou seríamos “interferidos”, se vivêssemos em 1964.

Ficamos um bom tempo imaginando. Uma nostalgia estranha, daquilo que não vivemos. Mas, a verdade, é que é impossível saber o que passaram nossos irmãos que viveram de fato esse período de nossa história nacional.

Na verdade, viver mesmo, foram somente alguns poucos, diante do todo. A maioria, como meus pais, por exemplo, só existia nesse período. Os que o viveram de fato, trazem consigo marcas irreparáveis, memórias inesquecíveis e um gosto amargo. Gosto de sangue derramado.

Quem não conhece e reconhece seu passado, não tem condições de escrever um futuro minimamente positivo.

Vivemos num país pacato, de gente muito boa, o que é maravilhoso, mas nas horas de crise, onde se demanda um engajamento radical e consciente, essa maravilha toda nos entorpece e aliena, nos tendendo, enquanto povo de uma nação, ao apequenamento, ao amedrontamento e ao silêncio.

Eu queria dizer algo sobre isso. Engraçado… Geralmente quando eu quero dizer algo sobre alguma coisa, não consigo.

Então… Não consigo…

Eu assisti o “O que é isso, companheiro?!”, li “Batismo de Sangue”, vi o documentário sobre o Vlado, li matérias e mais matérias sobre a ditadura, o AI-5, o DOI-CODI, li a espetacular biografia do Marighella. Enfim…

Mas, pelo fato de não ter vivido tudo isso, me sinto inabilitado, ou melhor, um profano, pisando em solo sagrado, ao tentar emitir uma opinião sobre o tema.

Reservo-me às minhas pesquisas, à curiosidade que me transporta no tempo e me põe em silêncio, na presença dos 6.016 toturados pela mão de ferro do inescrúpulo militar. Silencio e pasmo, acompanhando o cortejo fúnebre dos 210 mortos nos porões escuros e escusos de nossa vergonha. E choro e grito e pergunto pelos 146 que desapareceram de nosso solo, feito pó, não dando aos seus queridos nem a chance de enterrá-los.

Que o nosso silêncio seja de reflexão e respeito, mas não de medo, nem de descaso, muito menos de anuência. “Quem cala sobre o teu corpo, consente na tua morte”, me disse o Milton.

O mais triste… Na mesma semana onde nos lembramos de nosso período recente mais sombrio, o IPEA veicula uma pesquisa na qual 65% dos entrevistados concordam que uma mulher que se veste de forma “provocante” merece ser atacada.

O mais triste é perceber que nossa sociedade parece ter mudado pouco.

A sociedade que apoiou os militares ontem, é a mesma que acha normal estuprar mulheres pelo que vestem, hoje.

Mudam-se os “comos”, permanecem os “porquês”.

 

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Thiago e Cata

CATARINA

Olhando as roupas desarrumadas no canto, entre a cama e a parede:
- Pai, sabe o nome disso? É roupa limpa. e sabe o nome daquilo? Guarda-roupa. E sabe o nome disso aqui? Porta do guarda-roupa.

- E daí, Catarina?!

- E daí que isso, mais aquilo, mais isso, é igual a casa arrumada.

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THIAGO

No meio do jogo, comentário de um louco por futebol.
- Pai, dois a um pro Penapolense? Mas o Santos tinha 100% de aproveitamento em casa. Vai perder de novo pro Penapolense? Bem feito!

#PaiDeTrês

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ACORDAR

 

Já acordei faz duas horas

Com o estérico celular

Pra pegar busão lotado

E ouvir o meu chefe gritar

‪#‎QuadrasUrbanas

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Sábado #QuadrasUrbanas

Hoje é o santo sábado

Dia do descanso sagrado

Sem piedade, fui acordado

Tão reformando o prédio ao lado

#QuadrasUrbanas

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EU GOSTO DA RELIGIÃO

Eu gosto da religião.

Gosto mesmo.

Ela tem seu lugar fundamental e milenar na pauta social de todas as civilizações conhecidas.

O que eu não gosto é do que ela se tornou.

Ao contrário do que parece, sinto falta de uma liturgia mais austera, mas não pela manutenção de uma tradição morta, mas pelo que a liturgia representa. Ninguém pode chegar ao Altíssimo sem reverência, sem cuidado, sem tirar as sandálias, sem respeito e sem silêncio.

Essa balbúrdia toda, essa barulheira, essa bateção de palma, essa gritaria, essa estética pseudo feliz, não me parecem combinar com o publicano que bate contrito no peito, no pátio do templo, enquanto ora constrangido pelo que ele é e pelo que ele encontra quando busca o sagrado.

Essa conversa de “Deus falou comigo”, como quem se encontrou com Deus ali na esquina, não me alude ao Moisés que tem que se esconder para ver Deus passar de costas, conforme o relato bíblico.

Eu não sei o que acontece comigo, mas aprecio muito as catedrais, mais do que os salões alugados. Não é uma questão de importância, mas de significância. As catedrais me colocam sentado, naturalmente, e quieto.

Também aprecio os mosteiros, a disciplina rígida da devoção monástica e toda simbologia de seu rito.

Eu gosto da religião.

Acho que a maioria das coisas deve se modernizar e acompanhar o tempo e o contexto, menos algumas, e a religião é uma delas.

Gosto dela à moda antiga.

Gosto de seu sentido de religação para com o transcendente e, quem quer se achegar ao Sagrado, deve respeitá-lo como Sagrado que é.

O lindo da Escritura Bíblica é que ela diz que Deus me chama de amigo. Ele me chama. Ele mesmo.

Mas, como aprendi a fazer com meu pai, continuo chamando-o, Senhor e um “Senhor” não se trata de qualquer jeito.

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O BIG BROTHER NOSSO DE CADA DIA


Nossa relação com o nosso contexto imediato é dialógica.
Mas, mais do que moldarmos esse contexto, normalmente, é ele que nos molda.

A verdade, gente boa, é que vivemos, todos, num grande Big Brother.

Se não prestar MUITA atenção, o contexto te diminui, te castra, te limita, te embrurrece, sem que você perceba.
Nossos assuntos se tornam os mesmos de sempre; nossa avaliação, superficial; nossas decisões, egoístas; nosso ethos, competitivo; e nosso comportamento, agressivo, sem que entendamos direito o porquê de tudo isso.

É um cada um contra um monte de gente e vice-versa, em busca de qualquer “milhão” que lhe beneficie, em detrimento de uma “causa maior”, senão a de vencer a qualquer custo, legitimado pelo olhar alheio do “público” e por um discurso bonito de um “Bial” da vida.

E nada disso muda o fato de que fomos todos reduzidos a uma competição idiota, com causa própria, com diálogos que não atravessam os muros de nosso egocentrismo, com audiência formada por um bando de desocupados, com relações pueris, vivendo entre oponentes e construindo um castelo de areia chamado de reputação, para submetê-lo não à avaliação de uma boa consciência, mas à de um “público juízo” igualmente medíocre.

E, o pior, vamos aceitando esse dia-a-dia sem percebermos. 
Ele vai entrando na “cútis” e se tornando a nossa pele, a nosa face, a nossa identidade, sem que nos demos conta.

A boa notícia? A vida é bem mais do que isso e um pouco, só um pouco de atenção e de consciência crítica, nos libertam dessa casca fina e imperceptível, mas poderosa.

A vida ficção imita a vida e vice-versa, nesse ‪#‎BigBrother nosso de cada dia mas, amigos, a vida foi, é e sempre será bem mais do que isso.

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SEU NOME? NATASHA!

Era irritantemente feliz.

Não sabia muito de onde tinha vindo, tampouco qual era sua história. Mas dava pra ver que não tinha muita coisa na qual se apegasse, a não ser a bota vermelha como os lábios e os cabelos, e a saia sempre preta, às vezes curta, às vezes longa, às vezes rasgada, às vezes inteira.

Como pode alguém sempre rir de tudo e de todos, independente da história ou do status, e ninguém se irritar com aquilo?! É porque sabia ouvir, acolher, tirar as lições daquela bagunça toda e ainda rir, como quem desdenha das contingência mais inevitáveis quanto naturais dessa vida estranha.

O fato era que aquele jeito despretenciosamente feliz e engajado em viver uma vida leve, me assustava tanto… Eu, tão correto, tão resolvido, tão cheio de me gabar de que tudo estava certo e encaminhado naquela minha vida brilhante e invejável para todos, mas chata e insossa pra mim. Ela me assustava. E quanto mais assustado ficava, mais era atraído pr’aquele assombro de felicidade em forma de moça louca.

Eu, levando tudo sempre tão a sério, ser pego por essa desambição irresponsável de quem não tinha nada mais precioso do que umas duas mudas de roupa e um sorriso perene, mesmo que interrompido por um e outro protesto, uma e outra lágrima. O sorriso era, sempre, sua última palavra.

Inesquecível mesmo foi aquela noite na praia. Que começou noite e terminou madrugada. Não! Terminou manhã. Começamos num bando e fomos vencendo um a um, eu e ela, só. Um a um se indo, dormindo, perdendo para a Lua, para a brisa, para as batidas com vodka, para Morfeu. E eu e ela resistindo feito titãs àquela madrugada cheia de sensações e histórias, como quem teria, naquela noite, o último sopro. Ela, sempre assim, mordendo a vida feito quem come até osso. Eu, tomando-a feito alucinógeno, esquecendo de tudo e de todos no entorno.

Todos perdendo para a noite e nós bebendo-a até o último gole, até ver a madrugada capitular para o Sol.

Quando percebi que ela era uma deusa invencível, fiz do meu suspiro derradeiro, uma pergunta: “você é sempre feliz?”, ao que fui alvejado por uma gargalhada alta, rouca, profunda, seguida de um silêncio de calar a alma:

“Eu não sou feliz, bebê.

Essa vida é tão malditamente boa, que eu vivo na iminência de que ela se acabe a qualquer momento.

Por isso eu rio até a última gota.

Eu rio pra me lembrar de que ela é boa.

Eu rio pra me esquecer que ela acaba.

Eu rio porque não me contento.

Como uma coisa tão boa assim, tem começo meio e fim?!”

Seu nome?

Natasha…

 

Fabricio Cunha

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